História

Nos tempos primitivos, a medicina revestira-se de um caráter mágico-sacerdotal, e as doenças eram atribuídas a causas sobrenaturais. Esse quadro só começou a mudar no século V a.C., com a medicina hipocrática na Grécia. Hipócrates, o pai da medicina, sustentava que as enfermidades não eram causadas por deuses ou demônios, mas que resultavam de fatores naturais ligados ao modo de vida. As pessoas adoeciam por causa do trabalho que exerciam, do local onde moravam, do alimento ou água que ingeriam.
Durante muitos século, os dogmas da igreja determinaram que a dor era um justo castigo de Deus e, por isso, deveria ser aceita com submissão e enfrentada a sangue frio. Em 1591, Eufane MacAyane, uma jovem mãe escocesa, foi enterrada viva por pedir alívio para a dor no parto.

A cirurgia de modo geral era um verdadeiro sofrimento. As enfermeiras, na hora de auxiliarem em um desses procedimentos, já ficavam de prontidão para evitar que o berreiro do paciente assustasse os demais internos. O cirurgião tentava fazer a operação o mais rápido possível, mas na falta de anestesia, o grito era garantido, e o medo também.

Durante muitos séculos a cirurgia pôde ser comparada a uma aventura encabeçada por poucos e temida por muitos. À frente dela estavam profissionais dotados de conhecimentos teóricos, como os médicos formados nas universidades, e também indivíduos guiados pela experiência prática, os barbeiros-cirurgiões, porém alguns eram meros charlatões. Somente em meados do século XIX, com o advento da anestesia as cirurgias alcançaram um nível de profissionalização e ganharam contornos menos brutais, porém, mais invasivos, já que ausência da dor alargaria as fronteiras das técnicas cirúrgicas.

Continue Lendo: História da Anestesia